sexta-feira, 17 de abril de 2015

Economia de Luz no Atelier - Artigo por Carlos Veiga

Economizar é bom e faz bem ao lucro. Calma, explico melhor. Atualmente, no cenário da matriz energética brasileira, o custo da energia elétrica passa por uma verdadeira montanha russa, sobe e desce de acordo com reajustes e consumo de energia produzida de maneira mais cara. Para a indústria de confecção isso é ruim, visto que sem energia elétrica não temos como produzir.

Hoje, o custo com a energia elétrica é uma das contas que mais impacta a micro e a pequena empresa do ramo de moda. O maquinário é todo elétrico, e precisamos de luz para trabalhar. A conta de energia pode chegar a ser a segunda ou terceira conta que mais impacta no custo fixo, atrás dos custos com aluguel, salários e alguns impostos. Quando foi fundado o atelier que deu origem à CoutureLab, não havia tal preocupação. As máquinas de costura ficavam ligadas o tempo todo e não existia a opção de máquina eletrônica, que consome muito menos.

A evolução e a tecnologia impulsionaram-nos para a redução do consumo. Assim, formamos um plano de racionamento de energia em nossa escola, que será delineado a seguir.

Em 2010, trocamos o maquinário: das tradicionais máquinas de costura - que ficavam com o motor ligado todo o tempo, mesmo quando a costureira estava arrumando o tecido para ser costurado - passamos para um maquinário eletrônico, cujo motor só funciona se for acionado o pedal.

Nesta primeira fase a redução da conta de energia elétrica caiu 45%. Este fator se deu com a manipulação de duas variáveis básicas: capacitação das costureiras - quanto maior a habilidade no preparo do tecido para ser costurado, menor o consumo - e troca de maquinário.

A segunda fase passou, também, por investimentos, através de uma gestão mais eficiente dos recursos que consomem mais energia. Detalhamos o processo produtivo, peças que necessitavam ser passadas ou entreteladas eram executadas no mesmo período do dia, e o ferro a vapor passou a ser melhor utilizado, não necessitando ficar ligado todo o dia ou em todos os dias.

Os locais de uso comum, que ficavam grande parte do dia sem ocupação, tais como banheiros, cozinhas e estoques, receberam sensores de presença, evitando, dessa forma, que fossem esquecidas luzes acesas.

A terceira fase veio em 2015, com o advento da lâmpada de LED, que proporcionou uma redução de 25% do consumo de energia elétrica. Este fato colaborou muito com a absorção do aumento do preço da energia elétrica. Paralelamente, foi feita uma campanha interna, na qual os colaboradores, ao adotarem uma sala, tornavam-se responsáveis pelo apagar das luzes e desligar dos condicionadores de ar nos períodos de maior intervalo - no nosso caso, ao meio-dia e no final da tarde. Seguem algumas dicas de economia.

Redução do consumo sem investimento

- Desligue as luzes de locais que ficam por longo tempo sem uso. Podem ser usados lembretes ou instaurar o plano “Adote uma Sala”.

- Deixe apenas um condicionador de ar ligado para manter a sala refrigerada ou aquecida na hora de intervalos maiores que uma hora e menores que duas horas. Tenha atenção com portas e aberturas: abertas, elas podem aumentar o consumo. Um ambiente bem arejado pode ser a melhor solução nos dias com temperatura amena, pois reduz a necessidade de utilizar ar-condicionado.

- Mapeie sua produção e redistribua tarefas. Acumule as peças que necessitam ser passadas no ferro a vapor para que ele seja ligado e utilizado somente no horário necessário. Ferros necessitam de tempo para chegar ao ponto exato de utilização, consumindo, nesse período, grandes quantidades de energia elétrica. Por isso, quando for ligá-lo, tenha consciência.

Redução do consumo com pouco investimento

- Colocar sensores de presença e trocar as lâmpadas. As lâmpadas incandescentes e dicroicas são as grandes vilãs.

- Capacitar a costureira: menos tempo para a execução da peça com a máquina ligada.

Redução com maior investimento

- Trocar o maquinário de costura.

- Melhorar o isolamento térmico do espaço com troca de janelas, portas com fechamento automático, cortinas de vento, etc.

Caso CoutureLab – Troca de Lâmpadas

Antes Depois
7 Lâmpadas dicroica de 50 Watts – Consumo de 350 Watts/Hora 7 Lâmpadas de LED de 7 Watts – Consumo de 49 Watts/Hora
7 Lâmpadas incandescestes de 60 Watts – Consumo de 420 Watts/Hora 7 Lâmpadas de LED bulbo de 7 Watts – Consumo de 49 Watts/Hora
40 Lâmpadas Florescentes de 40 Watts de 1,20m – Consumo de 1.600 Watts/Hora 40 Lâmpadas de LED tubular de 18 Watts – Consumo de 720 Watts/Hora
6 Lâmpadas Florescentes de 20 Watts de 0,59cm – Consumo de 120 Watts/Hora 6 Lâmpadas de LED tubular de 10 Watts – Consumo de 60 Watts/Hora
14 Lâmpadas Florescentes Compactas de 25 Watts – Consumo de 350 Watts/Hora 14 Lâmpadas de LED bulbo de 10 Watts – Consumo de 140 Watts/Hora
2 Lâmpadas Florescentes Compactas de 15 Watts – Consumo de 30 Watts/Hora 2 Lâmpadas de LED bulbo de 7 Watts – Consumo de 14 Watts/Hora
Consumo de 2.870 Watts/Hora Consumo de 1.032 Watts/Hora Consumo de 1.032 Watts/Hora

A redução pode variar de acordo com a utilização de cada setor. No caso da CoutureLab, nos ambientes onde as lâmpadas foram substituídas, a redução chegou a 25,5% do consumo de energia elétrica na iluminação. O investimento foi de R$ 4.300,00 em lâmpadas e R$ 2.000,00 em mão de obra e material para a adaptação. O retorno previsto do investimento é de 18 meses. A lâmpada de LED tem garantia de 3 anos e durabilidade estimada de 5 anos. Não está na projeção de retorno de investimento os ganhos com a redução da mão de obra para a troca de lâmpadas e reatores, bem como a aquisição de reatores.

Máquina reta SIRUBA nova com motor eletrônico (orçamento de abril de 2015) R$ 4.200,00

Máquina reta SIRUBA nova com motor normal (orçamento de abril de 2015) R$ 1.800,00

Redução de consumo de energia elétrica, no caso da CoutureLab, em 45%, retorno do investimento é de 25 meses.

A aquisição do maquinário e de lâmpadas de LED podem ser efetuados via BNDES, podendo ser parcelada em até 48 vezes, dependendo da parcela mínima. Como se trata de equipamentos de longa duração, o efeito na conta de luz é imediato, porém o retorno financeiro se dá entre 18 e 25 meses e é mais duradouro, visto que o custo fixo cai e, consequentemente, a margem de lucro aumenta. No caso de aquisição do material ou maquinário com pagamento parcelado, é possível fixar como meta que a parcela seja igual ao valor economizado de energia - neste caso não haveria impacto no custo fixo e na margem de lucro.

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