sexta-feira, 8 de março de 2013

Mercado de Moda e o Muro de Entrada

O mercado da moda é de difícil entrada. Segundo a ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), existem atualmente cerca de 100 cursos de graduação em moda no Brasil - só no Rio Grande do Sul existem 14. Se estes cursos formarem 10 profissionais por semestre, teremos no RS em torno de 280 profissionais de moda.

Por este motivo, logicamente, deveríamos ter o melhor centro ou pólo de moda do Brasil, só que isso não se reflete no mercado ou na realidade. Nossos maiores concorrentes não residem no país: são produtores que conseguiram reduzir seus custos de produção a tal ponto que vale mais a pena comprar um contâiner de peças, colocar em um navio, atravessar, às vezes, dois oceanos, antes de chegar à nossa costa. Isso sem contar todo o custo rodoviário até o produto chegar ao consumidor final.

O criador nacional tem a tarefa árdua de competir por este mercado, e muitos estão desiludidos. Mas calma, vamos analisar uma parte de nossa rede produtiva.

Antes de mais nada, vamos elucidar a quem chamo de criadores: os estilistas, costureiros e profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de coleções e peças de moda. O criador quando se forma tem de montar o seu atelier. Surgem as primeiras dificuldades - regras e impostos que não são familiares a esta pessoa, que não estudou para isto. Tem de controlar layout, processo produtivo, horas trabalhadas, compra de maquinário e insumos.

A segunda barreira é o canal de venda: aonde o criador irá colocar suas peças para ser comercializadas. Deve ser um local o qual seu público alvo conheça, e tenha disponibilidades, financeiras e de tempo, para adquiri-las. Neste momento o criador assume mais uma série de custos, se preferir desenvolver um canal de venda. Em geral, o criador resolve montar a sua micro-cadeia produtiva por conveniência, ou seja, a produção atrás da loja, e em muitos casos perto ou em sua residência.

Se o criador colocasse tudo na ponta do lápis, veria uma série de custos fixos pendurados no preço - custo de manter a área fabril, custo de desenvolver a coleção, custo de vender esta coleção. Por este motivo, muitos acabam por migrar para o sob-medida ou a criação de peças exclusivas e moda alternativa, mas esquecem que tudo é mercado e preço.

Para que o criador tenha condições de melhor competir, é fundamental que tenha uma unidade produtiva ajustada e treinada. Para tanto, são essenciais os cursos de capacitação de seus colaboradores, pois mais treinamento reflete em melhores técnicas utilizadas na produção, o que reflete em mais ganhos. Uma opção é terceirizar parte ou toda a produção, com os cuidados devidos, é claro. Para reduzir o custo com canal de venda, cabe muito fazer parcerias com lojas de bairro, grandes magazines, e lojas colaborativas, onde o produto entra em comodato, e quanto maior a venda, mais espaço você ganha.

Nem tudo são flores, mas existem saídas: a especialização, e a união dos criadores para que se possa cobrar dos nossos governantes maiores incentivos para quem está desenvolvendo seus produtos aqui, reduzindo barreiras de entrada no ramo para estes criadores e, em consequência, protegendo nosso mercado.

Carlos Veiga, Administrador CoutureLab

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