quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mercado de Moda Gaúcho

Mercado da Moda A CoutureLab começa nesta semana a lançar posts informando sobre o mercado da moda. Serão informações de suma importância para quem deseja trabalhar neste mercado ou já desenvolve suas atividades. O primeiro texto abordará sobre a mão de obra.

O Rio Grande do Sul está, atualmente, em primeiro lugar entre os estados da federação que mais possuem cursos de graduação em moda. São 14 cursos nas mais diversas instituições e em diversas regiões do Estado. Existe uma concentração dessas instituições na Capital e região metropolitana do Rio Grande do Sul, por possuir esta região uma maior concentração de estudantes em potencial.

Diante deste cenário, cabe uma pergunta: se cada curso formar uma gama de 10 pessoas por semestre - número bem baixo para uma instituição de ensino - como o mercado irá absorver esta mão de obra qualificada? Se olharmos o mercado como um todo e a matriz produtiva têxtil atual verificaremos que não existe lugar para todos.

Hoje existe pouca produção industrial na área de moda no Rio Grande do Sul. Recente pesquisa da ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção – mostra que o Estado encontra-se em 7º lugar no ranking nacional de produção na área, com míseros 3,3% do que é produzido, atrás de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná, Ceará e Rio de Janeiro.

Como um Estado que tem o maior número de cursos de graduação na área está nesta posição? É muito simples: nossa matriz têxtil privilegia o que é confeccionado fora, somos um Estado de consumo e não de produção. É mais fácil para os lojistas buscarem produtos de outros mercados, em especial São Paulo e Santa Catarina, ou até mesmo da China, que produzir aqui.

Cabe a nós, participantes desta matriz produtiva, alterarmos este panorama. Empresários, estudantes, profissionais, docentes, e entidades que se relacionam com o mercado da moda precisam ter sua parte nesta guinada. O maior perigo desta realidade é deixar que o mercado da moda gaúcha entre em colapso, tornando os gaúchos meros consumidores, não trazendo benefícios para o consumidor que estará bitolado a comprar o que o mercado externo empurra. Além disso, o empresariado da indústria não terá retorno de seu investimento e os profissionais e as demais empresas que fornecem insumos para o setor - lojas de tecidos e aviamentos e até as instituições de ensino - não terão um mercado que os absorva.

Este primeiro post não busca desmotivar ninguém, mas servir de reflexão para que tomemos consciência do nosso papel na matriz produtiva do mercado de moda e, a partir disso, possamos mudar o rumo, fazendo com que o mercado reaja e comece a evoluir novamente.

Texto Produzido por Carlos Veiga

2 comentários:

  1. Adorei o post! Recentimente me formei na instituição SENAC/Canoas, e eu e meus colegas estamos enfrentando muita dificuldade na tentativa de entrar nesse mercado. Qualquer vaga relacionada a moda esta direcionada a estados como São Paulo e Santa Catarina. Fico no aguardo da continuação do post! Sucesso!

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  2. Obrigado pela participação, realmente o mercado é subdesenvolvido, estaremos colocando outros post falando sobre ele, um abraço.

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